
Congresso aprova pacote bilionário para impulsionar detenções e deportações em massa de imigrantes
Por Redação | Adaptado de artigo original de Hayes Brown – MSNBC Opinion
Na semana passada, o Congresso americano aprovou um projeto de lei orçamentária que destina cerca de US$ 150 bilhões para fiscalização de imigração e segurança nas fronteiras. A medida, apoiada majoritariamente por republicanos, dá ao governo Trump os recursos necessários para colocar em prática sua política de deportações em massa — e pode transformar radicalmente a forma como os Estados Unidos lidam com a imigração.
Com essa injeção de recursos, o Immigration and Customs Enforcement (ICE) — órgão de controle de imigração — está prestes a se tornar a maior força policial do país. Novos centros de detenção serão construídos para abrigar centenas de milhares de imigrantes enquanto aguardam deportação.
O crescimento acelerado do ICE
Desde que Donald Trump voltou à presidência, há seis meses, houve um aumento nas operações do ICE: mais batidas, detenções e deportações. Mas, ao contrário do discurso oficial, a maioria dos alvos não são criminosos perigosos. Alterações nas políticas migratórias já retiraram a proteção legal de centenas de milhares de imigrantes, facilitando sua expulsão.
Mesmo assim, os números atuais ainda estão abaixo do que deseja Stephen Miller, vice-chefe de gabinete da Casa Branca e principal arquiteto da política migratória. Miller exige 3 mil prisões por dia — e agora tem os recursos para tentar alcançar essa meta.

Bilhões para construir centros e contratar agentes
Do orçamento aprovado, US$ 45 bilhões serão usados para ampliar centros de detenção, e mais US$ 45 bilhões para a construção do controverso muro na fronteira. Para comparação, esse valor é 13 vezes maior que o orçamento anual atual do ICE (cerca de US$ 3,4 bilhões).
Segundo estimativas do American Immigration Council, com esse orçamento, o ICE poderá manter 116 mil leitos disponíveis para detenção — quase o triplo da capacidade atual (41 mil). Há denúncias de condições desumanas nos centros já existentes, e a ampliação promete agravar a situação.
Além disso, US$ 15 bilhões serão direcionados para deportações, com a possibilidade de envio não apenas para os países de origem, mas para “terceiros países”, conforme decisão recente da Suprema Corte dos EUA. Outros US$ 16,2 bilhões vão reforçar o Departamento de Segurança Interna com novos agentes para o ICE, Alfândega e Patrulha de Fronteira. Só para o ICE, serão contratados 8.500 novos agentes, com bônus e incentivos que somam quase US$ 1,5 bilhão.
Detenção vira negócio lucrativo
Grande parte dos novos recursos será repassada a empresas privadas, encarregadas de construir e operar os centros de detenção. Muitas dessas empresas são apoiadoras políticas do Partido Republicano e do próprio Trump.
Além do governo federal, estados e municípios também entrarão nesse “boom” da deportação, com US$ 3,5 bilhões para compensar estados que detenham imigrantes e US$ 10 bilhões para reforço das fronteiras estaduais.
Para muitos analistas, a situação é alarmante: o setor de detenção e deportação pode se tornar uma indústria altamente lucrativa, incentivando ainda mais prisões e deportações. A lógica financeira — e não humanitária — passa a ditar o ritmo das operações.
Impactos sociais e riscos à cidadania
O temor é que, com tantos recursos disponíveis, a máquina de deportação vá além dos indocumentados. O governo já tem feito esforços para revogar cidadanias por direito de nascimento, além de retirar direitos políticos de opositores. Ou seja, naturalizados e até cidadãos podem acabar na mira.
A valorização das ações das empresas privadas que atuam nesse setor mostra o tamanho da expectativa de lucro. Desde a eleição de Trump, por exemplo, os papéis da CoreCivic subiram 56% e os da GEO Group 73%, segundo a Associated Press.
O futuro da imigração nos EUA
Apesar do orçamento aprovado, nem tudo está garantido. O ICE enfrenta dificuldades para reter seus agentes atuais, e especialistas alertam que a contratação de novos profissionais pode levar anos. Ainda assim, o volume de recursos coloca os EUA diante de um possível ponto de virada em sua política migratória.
Mais detenções, mais deportações e menos trabalhadores: esse é o cenário que se desenha. Casos como o de Kilmar Abrego Garcia, deportado injustamente, se tornarão mais comuns. Mas talvez sejam as “deportações bem-sucedidas” que mais desafiem os valores da sociedade americana.
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